segunda-feira, 30 de junho de 2014

Por que investir.

 boy piggy bank

Muitas pessoas acreditam que não é importante começar a investir logo, porque “é sempre possível começar depois”. É verdade que, se você já tem uma certa idade, é melhor começar logo do que procrastinar ainda mais a decisão de começar a economizar e a investir para o futuro. Todavia, o pessoal mais jovem também acaba procrastinando essa decisão, por entender que é possível “aproveitar a vida” no presente e só depois começar a economizar. Mas essa decisão pode ter um custo muito, muito alto.

Quanto maior o tempo em que você investir, maior a renda futura

Esse ponto é óbvio, mas muita gente acaba não o levando em consideração na hora de planejar o futuro: a sua renda passiva futura (a renda obtida por meio do fluxo de caixa gerado pelos investimentos) é diretamente proporcional não apenas à quantidade que você economiza, mas . Mas o fato é que, pela força dos juros compostos, quanto mais tempo alguém economiza e investe, maior o valor a ser resgatado e, por conseguinte, maior a renda gerada por seu patrimônio.
Como eu disse, isso é óbvio. Mas… por mais que todo mundo saiba disso, é fácil menosprezar essa conclusão. As pessoas acreditam que não fará tanta diferença assim começar a investir hoje ou daqui a um ano. E, daqui a um ano, acham que não fará tanta diferença assim investir naquele momento ou dali a cinco anos. Ou, talvez, começar dali a dez anos, não fará tanta diferença assim. E assim, sucessivamente, a cada ano vão se enganando mais um pouquinho, estendendo indefinidamente o momento de começar a investir. E aí, pode ser tarde demais.
E qual o impacto de adiar a decisão de começar a investir?
Para responder a esta questão, resolvi simular o que aconteceria com a situação financeira de alguém que pudesse economizar R$ 2.000,00 por mês e decidisse aplicar seus recursos em um investimento que trouxesse, líquido, um retorno de 8% ao ano (algo que, acredito, um mix de ações, renda fixa e fundos de investimento imobiliário podem trazer no longo prazo). Nosso investidor precisaria, necessariamente, passar a viver exclusivamente da renda gerada por seus investimentos ao final de 30 anos. Ou seja, independentemente de onde ele investisse seus recursos, precisaria da renda em 30 anos.
Testei três cenários: no primeiro, o investidor teria 30 anos de investimentos diligentes. Ele não procastinaria e, todo mês, depositaria R$ 2.000 em sua carteira. No segundo cenário, ele esperaria por 10 anos em sua vida de esbórnia e somente a partir daí começaria a investir. No terceiro cenário, o investidor seria como a cigarra da fábula e somente começaria a investir quando faltassem 10 anos para usufruir da renda. Veja o resultado:
investir
Como era de se esperar, o primeiro investidor conseguiu alcançar um patrimônio bastante superior ao dos demais: quase R$ 3 milhões e uma renda mensal de quase R$ 20.000,00 por mês. O segundo investidor, por sua vez, conseguiu um investimento 60% inferior, e uma renda de pouco mais de R$ 7.000. O terceiro, o investidor-cigarra, teria que se contentar em viver com R$ 2.300 e um patrimônio de R$ 359.000.

Investir mais cedo também é importante por causa da inflação e dos impostos…

E não contei com a inflação: eu só queria provar um ponto. Se você considerar razoável a possibilidade de conseguir obter uma rentabilidade acima da inflação na ordem de 8% ao ano, os cálculos também valeriam para essa hipótese. Mas lembre-se de que isso é muito difícil de obter e que também incidiriam impostos sobre essa renda. Ou seja, nossos investidores teriam que se contentar  com uma renda real bem inferior à dos cálculos.  R$ 17.000 daqui a 30 anos será uma renda muito inferior à de hoje – mas, como os cálculos também foram efetuados a partir de aportes fixos, esse efeito também é minimizado.
escrito por Fábio Portela
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